Sudamericana

Boca mapeia o Atlético Mineiro antes da decisão em Barranquilla

Xeneize estuda pontos fortes e fracos do Galo de Eduardo Domínguez, adversário na final única da Copa Sul-Americana, marcada para 21 de novembro na Colômbia

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Por Redação FutebolArgentino
📅 23/10/2026 ⏱ 08:07
Sul-Americana 2026 · Final

23 de outubro de 2026 · Barranquilla, Colômbia · Redação

Falta um mês, mas o Boca Juniors já começou a desenhar na prancheta o caminho para encerrar quase duas décadas de jejum internacional. No dia 21 de novembro, no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla, o clube argentino enfrenta o Atlético Mineiro em jogo único pela final da Copa Sul-Americana 2026. Um só jogo, 90 minutos — ou mais, se for preciso — para decidir quem ergue o troféu continental num palco reformado que agora recebe até 65 mil torcedores.

Um retrospecto com tempero de polêmica

Boca e Mineiro não se enfrentam desde 2021, quando se cruzaram nas oitavas de final da Libertadores em uma série marcada por confusão. No jogo de ida, em La Bombonera, sem público por conta da pandemia, o árbitro anulou um gol do Boca após revisão no VAR e o placar ficou 0 a 0. Na volta, em Belo Horizonte, outro empate sem gols — mas antes disso, o Boca teve um segundo tento anulado, também após revisão no árbitro de vídeo, por um impedimento milimétrico. O Mineiro avançou nos pênaltis.

O resultado azedou os ânimos. Nos vestiários do Mineirão houve um princípio de confusão generalizada entre os dois elencos, com o presidente do clube brasileiro na época, Sergio Coelho, arremessando garrafas de água contra jogadores do Boca. A polícia precisou intervir, e dois atletas do time argentino, Luis Advíncula e Sebastián Villa, ficaram retidos para prestar depoimento — o restante do elenco optou por permanecer no local em solidariedade. O Boca chegou a divulgar um comunicado oficial contra a CONMEBOL, e o então vice-presidente do clube, Juan Román Riquelme, não escondeu a indignação.

Boca venceu os dois jogos e ficou fora do torneio. Da próxima vez vamos ter que fazer cinco gols para ver se conseguimos avançar assim na copa.

— Juan Román Riquelme · então vice-presidente do Boca, em 2021

É uma vergonha, é inacreditável, não é séria assim a Copa Libertadores. Se você joga o tempo todo e os gols não valem... E ainda vimos os vídeos do presidente do Mineiro jogando garrafadas, aconteceu de tudo. Estamos muito tristes com o que fizeram com a gente. Os jogadores receberam gás lacrimogêneo no rosto, e é claro que iam se defender.

— Juan Román Riquelme

A final que já existe na história

Antes de 2026, Boca e Mineiro já haviam decidido um título internacional. Foi em julho de 1993, na Copa de Oro Nicolás Leoz, torneio que reunia os campeões continentais da temporada anterior. Depois de um 0 a 0 no Mineirão, o Boca venceu por 1 a 0 em La Bombonera com um cabeceio de Carlos Javier Mac Allister, que completou um centro de Sergio Daniel Martínez. O time comandado por Jorge Habegger terminou aquela competição sem derrotas.

Barranquilla, terreno conhecido — mas não igual

O estádio que vai receber a final já teve os dois clubes em campo, embora em formato bem diferente do atual, antes da reforma que ampliou a capacidade. O Boca jogou três vezes ali pela Libertadores contra o Junior, sempre sem perder: venceu 3 a 2 em 2001, no ano em que foi campeão da competição; empatou 3 a 3 em 2005; e 1 a 1 em 2018, quando chegou à final. Já o Mineiro passou por Barranquilla uma única vez, pela Copa Conmebol, com um empate em 2 a 2 — depois venceu o jogo de volta em casa por 3 a 0 e terminou campeão daquela edição.

O momento do Boca

O Xeneize chega embalado por uma virada heroica no Maracanã, onde reverteu a derrota por 1 a 0 sofrida em La Bombonera e venceu o Vasco da Gama por 3 a 1, com Leandro Paredes decisivo, garantindo a vaga na final. Antes de voltar a pensar em Barranquilla, porém, o técnico Rodolfo Arruabarrena tem um calendário apertado pela frente: neste domingo, dia 25 de outubro, às 17h, o time visita o Independiente em Avellaneda, pela 14ª rodada da Zona A do Torneio Clausura. Na sequência vem o Superclássico contra o River, em La Bombonera, no domingo 1º de novembro, às 15h. Depois, o Boca recebe o Defensa y Justicia e, no sábado 14 de novembro, às 19h, em Mendoza, disputa a semifinal da Copa Argentina contra o Banfield — exatamente sete dias antes da decisão continental.

O time lidera a Tabela Anual do futebol argentino com 54 pontos, mesma marca do Argentinos Juniors, mas com vantagem no saldo de gols. Rosario Central e Independiente Rivadavia aparecem logo atrás, com 53. Uma eventual conquista da Sul-Americana representaria o primeiro título internacional do Boca desde a Recopa Sul-Americana de 2008, troféu seguinte à conquista da Libertadores de 2007.

O rival: o Galo do técnico argentino

Do outro lado estará um Atlético Mineiro comandado por um compatriota de Arruabarrena: Eduardo Domínguez, apelidado de "Barba", que assumiu o time em fevereiro deste ano. O técnico já eliminou o Boca duas vezes quando dirigia o Estudiantes, nas semifinais da Copa Argentina de 2023 e da Copa de la Liga de 2024 — e agora tentará repetir o feito em uma final internacional.

A campanha do Mineiro na Sul-Americana mostra um time muito mais forte em casa do que fora. Nas oitavas, venceu o Red Bull Bragantino por 1 a 0 fora e empatou 2 a 2 em Belo Horizonte. Nas quartas, perdeu por 2 a 0 para o Santos na Vila Belmiro, mas se recuperou com um 4 a 2 na Arena MRV e avançou nos pênaltis. Na semifinal, goleou o Montevideo City Torque por 3 a 0 em casa, mas sofreu derrota por 2 a 0 no Uruguai, se classificando pelo placar agregado.

Desfalque confirmado: o volante Alan Franco foi expulso na partida contra o Montevideo City Torque, no Uruguai, e está fora da final em Barranquilla.

No gol, a lesão de Everson — uma fratura no pé esquerdo — abriu espaço para Gabriel Delfim, que foi decisivo nas quartas de final ao defender três cobranças de pênalti na eliminatória contra o Santos, embora tenha mostrado algumas dificuldades com os pés na revanche contra o Torque. Everson está em fase de recuperação e pode reaparecer a tempo da decisão. Domínguez também espera recuperar outros nomes até lá: Ruan Tressoldi, Gustavo Scarpa, Fred, Thiago Borbas e Mateo Cassierra.

Como joga o Mineiro

Nas semifinais, Domínguez utilizou um 4-2-3-1, com dois volantes centrais e um trio ofensivo circulando por trás do centroavante. A proposta prioriza o equilíbrio defensivo e não depende de manter a posse de bola por longos períodos: o time se fecha, reduz espaços e acelera nas transições quando recupera a bola.

Artilheiro
Bernard
Recuperou protagonismo sob o comando de Domínguez e é o maior artilheiro do Mineiro na Sul-Americana, com cinco gols.
Velocidade
Tomás Cuello
Principal fonte de desequilíbrio pela ponta, com velocidade e capacidade de desborde.
Mobilidade
Reinier
Oferece movimento constante no ataque e aproveita bem os espaços deixados pela defesa adversária.
Projeção
Renan Lodi
Lateral-esquerdo que se projeta ao ataque com frequência — foi quem sofreu o gol de Di María na final da Copa América de 2021.

É justamente nas subidas de Renan Lodi que pode estar uma brecha: suas avançadas alargam o campo, mas deixam espaço às costas quando o time perde a bola. Para o Boca, controlar as transições rápidas do Mineiro e pressionar a saída de bola brasileira podem ser as chaves da partida — sempre com cuidado para não deixar vazios entre o meio-campo e a defesa quando o rival empurra as linhas.

A voz de quem já viveu os dois lados

Um dos protagonistas do Mineiro na briga pelo título chegou ao clube em agosto, por empréstimo do River: o volante colombiano Kevin Castaño, que soma uma vitória e uma derrota em seus confrontos pessoais contra o Boca — venceu por 2 a 1 no Monumental, em abril de 2025, e perdeu por 2 a 0 em La Bombonera, em novembro do mesmo ano.

Sabemos que é um rival difícil, temos que respeitá-lo. O grupo vem bem, vem forte, e vamos trabalhar para essa grande final, para fazer as coisas direito.

— Kevin Castaño · volante do Atlético Mineiro

Vai ser uma final difícil, o Boca é um grande rival. Mas acho que nosso time vem crescendo, está melhorando cada vez mais. Vamos esperar a benção de Deus e trabalhar para o que vem.

— Kevin Castaño

Curiosamente, o River continuará pagando o passe de Castaño até dezembro de 2028 — mesma data em que termina o contrato do jogador com o clube de Núñez —, resultado de uma negociação milionária fechada com o Zenit, da Rússia, em 2025. O Mineiro tem uma opção de compra pela metade do passe, mas o colombiano nunca conseguiu se firmar no time argentino.

Onde e quando assistir

A final da Copa Sul-Americana 2026 entre Boca Juniors e Atlético Mineiro será disputada no sábado, 21 de novembro, no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla, Colômbia. A transmissão fica a cargo do Disney+, no Plano Premium, disponível para a América do Sul.

Faltam quatro semanas e um calendário cheio de compromissos decisivos — Superclássico incluído — antes de o Boca pisar em Barranquilla. Do outro lado, um Mineiro que precisa provar que também sabe vencer fora de casa. Entre a história de 1993, a polêmica de 2021 e as 90 minutos que virão em novembro, os dois times sabem que o troféu vai exigir mais do que talento individual: vai exigir que cada equipe sustente seu plano de jogo até o fim.

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