O Cilindro completa 76 anos: a história por trás do nome e o mito peronista
Em celebração aos 76 anos do estádio, revisitamos as origens da casa do Racing, a influência política de Ramón Cereijo e o eterno debate sobre a preferência clubística de Juan Domingo Perón.
O Cilindro de Avellaneda: 76 anos de uma catedral argentina
Muito além do nome oficial, a casa da Academia carrega em suas estruturas a memória de uma era de ouro e o peso das lendas do futebol.
No dia 3 de setembro de 1950, o futebol argentino presenciava a ascensão de um colosso. O Cilindro de Avellaneda, inaugurado para ser o estádio mais imponente do país, completa 76 anos de vida, mantendo-se como um templo sagrado para a torcida da Academia. O nome oficial, Juan Domingo Perón, é um reflexo direto da política esportiva da época, mas a verdadeira gênese do estádio reside na paixão de um homem: Ramón Cereijo.
O arquiteto da paixão
Embora o mito popular sugira que Perón era um torcedor do Racing, a realidade histórica aponta para outro lado: o verdadeiro motor por trás do projeto era o Ministro da Fazenda, Ramón Cereijo, um racinguista fervoroso. Foi sob sua gestão que o governo justicialista concedeu o empréstimo de 3 milhões de pesos, posteriormente ampliado, permitindo que o clube erguesse sua nova casa sobre o terreno do antigo estádio de madeira.
Durante os anos de construção, entre 1946 e 1950, o Racing viveu um período de nômades, mandando jogos em estádios como os do San Lorenzo, Boca Juniors e até do arquirrival Independiente. Curiosamente, foi nesse exílio que a Academia conquistou o título de 1949, provando que sua força superava a falta de um lar.
"O nascimento do Cilindro é uma fusão de engenharia alemã, investimento estatal e a devoção inabalável de um ministro que não mediu esforços para ver seu clube no topo."— Redação Futebol Argentino
Memórias de um estádio gigante
A estreia oficial, em 3 de setembro de 1950, foi marcada por uma vitória por 1 a 0 sobre o Vélez, com gol de Llamil Simes. O estádio, que nasceu com capacidade para 100 mil espectadores, rapidamente se tornou o epicentro do futebol nacional, sediando os Jogos Pan-Americanos de 1951.
A história do Cilindro é pontuada por marcos inesquecíveis: a inauguração das torres de iluminação em 1966, celebrada com uma vitória sobre o Bayern de Munique, e o ápice de 1967. Sob o comando de Juan José Pizzuti, o estádio viu o Racing sagrar-se o primeiro campeão argentino da Copa Libertadores e, posteriormente, registrar o que se estima ser um público recorde de 120 mil pessoas no duelo contra o Celtic.
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