Fim da novela: Racing libera Marcos Rojo, que volta ao Estudiantes
Depois de faltar a três treinos seguidos para forçar a saída, zagueiro de 36 anos fecha acordo de US$ 1 milhão com a Academia e retorna ao clube que o revelou, a tempo da semifinal da Libertadores contra o Flamengo.
Há despedidas que demoram a se consumar porque carregam história demais para caber num comunicado de imprensa. A de Marcos Rojo com o Racing chegou ao fim nesta sexta-feira (2), depois de dias de tensão nos bastidores de Avellaneda, três treinos ignorados como forma de pressão e uma negociação que virou novela: o zagueiro de 36 anos, sem espaço na Academia, foi liberado para fechar com o Estudiantes, o clube que o revelou como jogador, e para onde volta a tempo de disputar a semifinal da Copa Libertadores contra o Flamengo.
Um acordo em torno de US$ 1 milhão
Depois de várias conversas entre as diretorias, Racing e Estudiantes chegaram a um entendimento no valor aproximado de US$ 1 milhão, pago como indenização pela rescisão antecipada do contrato de Rojo, que venceria apenas no fim deste ano. Dentro desse montante, o Estudiantes também assumiu uma dívida salarial que a Academia mantinha com o jogador, referente a valores de produtividade em aberto.
A articulação final partiu de Marcos Angeleri, secretário técnico do Pincha, que na quinta-feira (1º) conversou diretamente com Sebastián Saja, gerente de futebol do Racing, para destravar o retorno do zagueiro experiente.
Milito recuou depois de bater o pé
O presidente do Racing, Diego Milito, vinha resistindo a liberar Rojo mesmo diante da cifra oferecida, mas flexibilizou a postura ao longo da noite desta sexta e aceitou avançar com uma proposta formal. A condição imposta pela Academia incluía o ressarcimento pelos três meses restantes de vínculo, a quitação da dívida salarial e um bônus por jogo disputado na Libertadores — itens que entraram na mesa de negociação nos últimos dias.
Prazo curto: Estudiantes tem até 9 de outubro
O Pincha tem até o dia 9 de outubro para inscrever reforços e corre contra o tempo para contar com Rojo na semifinal da Libertadores diante do Flamengo. A urgência cresce porque o técnico Alexander Medina não poderá utilizar, no jogo de ida, os zagueiros titulares Leandro González Pírez e Tomás Palacios, ambos suspensos por acúmulo de cartões amarelos — cenário que torna a experiência do zagueiro ainda mais valiosa para o setor defensivo.
Uma passagem de altos e baixos em Racing
Rojo chegou à Academia no início de agosto do ano passado, logo depois de ser afastado do Boca. A contratação, à época, foi celebrada publicamente pelo então técnico Gustavo Costas:
Eu queria um filho da puta no time.
— Gustavo Costas · então técnico do Racing, sobre a chegada de Rojo em 2025
A estreia veio poucos dias depois, diante do Peñarol, em Montevidéu, pela ida das oitavas de final da Libertadores. Na volta, chegou a balizar o 1 a 0 logo aos seis minutos, viu um gol seu ser anulado pelo VAR e saiu no segundo tempo — já no banco, acabou expulso pelo árbitro Wilmar Roldán e cumpriu suspensão de duas rodadas, desfalcando a equipe nas quartas de final contra o Vélez.
Impedido de atuar no Torneio Clausura por ter chegado com o mercado de passes fechado, só foi liberado após uma lesão do juvenil David González abrir uma vaga de inscrição. Entrou em campo na Copa Argentina diante do River e disputou alguns jogos até a fatídica semifinal da Libertadores contra o Flamengo: no Maracanã, fez uma boa partida até sofrer, no fim, um gol contra em lance fortuito que, de qualquer forma, classificou o Racing. No mesmo jogo, provocou um corte grave no rosto de Santiago Sosa numa disputa de bola aérea. Na volta, ainda gerou a expulsão de Gonzalo Plata, mas a Academia acabou eliminada. Dias depois, uma lesão muscular contra o Defensa y Justicia o tirou de cena pelo restante do ano.
Voltou aos gramados em um momento de crise: o Racing abriu 2026 com três derrotas seguidas e ele foi titular na vitória sobre o Argentinos Juniors que estancou a sequência negativa. Em abril, outro ponto de inflexão: na derrota para o River no Cilindro, errou no lance que resultou no gol da partida e foi expulso por uma cotovelada em Lucas Martínez Quarta, recebendo suspensão de quatro rodadas.
Com a chegada de Juan Pablo Vojvoda ao comando técnico, sua relação com o clube pareceu se reconstruir: marcou seu primeiro gol contra o Defensa y Justicia pela Copa Argentina e, mais tarde, converteu também diante do Boca, consolidando-se como referência para o grupo de jovens jogadores. A eliminação recente diante do próprio Boca nas quartas de final da Copa Argentina, porém, reabriu a crise — o Racing já havia acertado a saída de Vojvoda e, dias depois, viu Rojo se plantar e passar a faltar aos treinos para forçar a saída rumo a La Plata.
Torcida dividida em La Plata
A possível volta de Rojo não é unanimidade entre os torcedores do Estudiantes. Na véspera do duelo com o Platense pela Copa Argentina, parte da torcida reconheceu a necessidade de reforçar a zaga para a Libertadores, mas outra parcela se mostrou irredutível, cobrando satisfações do zagueiro pela forma como deixou o clube anos atrás.
Ele falou mal do Estudiantes para ficar bem com a torcida do Boca.
— Torcedor do Estudiantes
Ele é um mal agradecido, ele e toda a família. Teriam que pedir desculpas ele, a mãe e toda a família para começar a tocar numa bolinha.
— Torcedor do Estudiantes
Com o acordo fechado, resta formalizar a chegada de Rojo em La Plata, onde ele se despede do futebol argentino no mesmo lugar em que deu os primeiros passos como profissional. Para o Racing, o capítulo fecha uma temporada conturbada, que já havia custado o cargo do técnico Juan Pablo Vojvoda e agora perde também seu zagueiro mais experiente às vésperas da reta final do ano.
Para o Estudiantes, a urgência agora é outra: transformar a experiência do reforço em solidez defensiva diante do Flamengo, num confronto que pode definir presença na final da Copa Libertadores.
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