Do gramado ao banco de reservas: o reencontro histórico de Marcelo Gallardo com o futebol do Equador
Anunciado como novo comandante da Seleção Equador, 'El Muñeco' revive memórias do seu único confronto como jogador contra a Tri em 1997 e projeta estreia no continente asiático.
Do gramado ao banco de reservas: o laço poético de Gallardo com o Equador
Três décadas após enfrentar a 'Tri' vestindo a camisa argentina, 'El Muñeco' assume o comando técnico equatoriano com foco no ciclo mundialista
O futebol possui um capricho singular para trançar histórias separados pelo tempo. Destinos que pareciam meros registros em arquivos empoeirados ganham vida e contorno de novidade de forma repentina. Marcelo Gallardo é o novo treinador da Seleção do Equador. E enquanto a torcida equatoriana se enche de expectativa diante da imponência e do caráter do comandante argentino, a memória do esporte resgata o único capítulo em que 'El Muñeco' esteve do lado oposto, trajando a camisa da Seleção Argentina como atleta.
Para desfolhar essa relíquia, é preciso recuar três décadas no calendário. O ano era 1997, na altitude de Cochabamba, no Estádio Félix Capriles. A Argentina de Daniel Passarella iniciava sua jornada na Copa América da Bolívia com uma formação alternativa, jovem e faminta por espaço no cenário internacional.
O embate na altitude e o olhar do adversário
Aquele 11 de junho reservou um duelo travado. Sob o comando de Pacho Maturana, a equipe equatoriana recusou-se a ceder metros no campo de jogo, resultando em um primeiro tempo sem brilho e sem redes balançando. Incomodado com a falta de articulação, Passarella buscou a solução no banco de reservas logo no intervalo.
Aos 46 minutos de partida, Gallardo pisou no gramado para substituir Gustavo López. A despeito do placar permanecer imóvel no 0 a 0 até o apito final, a elegância do meia argentino deixou marcas na memória de quem estava em campo.
"Ele gostava de estar com a bola, era muito lírico. Tive a oportunidade de enfrentá-lo enquanto o admirava. Era um verdadeiro orquestrador de jogo." — José 'Pepín' Gavica, ex-jogador do Equador
Embora a Argentina tenha sido eliminada nas quartas de final diante do Peru, Gallardo terminou aquela edição da Copa América como uma das grandes figuras do torneio, marcando três gols em quatro exibições. Aquele empate sem gols permaneceu como o único encontro oficial de Marcelo Gallardo contra a 'Tri' durante toda a sua carreira como futebolista.
O ciclo se fecha: novo comando e novos desafios
Três décadas mais tarde, o círculo se completa. O mesmo homem que outrora tentou superá-los com a bola nos pés assume a missão de conduzir o Equador rumo à próxima Copa do Mundo. Gallardo sucede Sebastián Beccacece, técnico que assinou uma campanha marcante ao derrotar a Alemanha na edição de 2026 e levar a equipe até a fase de 16 avos de final.
A estreia de Gallardo à frente da seleção equatoriana já tem data e palco definidos para as datas FIFA de setembro e outubro. O pontapé inicial ocorrerá em solo sul-coreano, no Big Bird Stadium em Suwon, no dia 24 de setembro, em amistoso contra a Coreia do Sul.
Na sequência do itinerário asiático, a delegação segue para Yokohama, no Japão, onde participará de um torneio quadrangular. No dia 1º de outubro, o Equador enfrenta a seleção japonesa e, no dia 5 de outubro, fecha a excursão enfrentando o vencedor ou perdedor do confronto entre Panamá e Nova Zelândia.
14jogos dirigidos contra times equatorianos
8V / 3Evitórias, empates e apenas 3 derrotas (todas em Quito)
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