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Otamendi pede desculpas públicas a Beltrán após bronca em Junín

Depois da goleada sobre o Belgrano, o capitão do River assumiu o microfone para encerrar a polêmica criada na partida contra o Sarmiento: "às vezes perco a cabeça".

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Por Redação FutebolArgentino
📅 19/10/2026 ⏱ 10:20
River Plate · Bastidores
19 de outubro de 2026 · Córdoba, Argentina · Redação

Houve um grito que as câmeras não deixaram escapar, e depois houve o silêncio de quem sabe que errou. Entre uma coisa e outra, Nicolás Otamendi escolheu o caminho mais difícil para um capitão: reconhecer em público o que havia feito em privado. Na noite deste domingo, após o River golear o Belgrano por 3 a 0 em Córdoba, pela 13ª rodada do Torneio Clausura 2026, o zagueiro usou os microfones do pós-jogo para pedir desculpas ao goleiro Santiago Beltrán pela bronca dada durante o empate com o Sarmiento, em Junín, que havia viralizado dias antes.

A bronca em Junín

O episódio aconteceu na última quarta-feira, quando River e Sarmiento terminaram empatados em Junín. Em uma jogada no meio da partida, Beltrán permaneceu na linha do gol enquanto Otamendi precisou se antecipar para cortar a bola e mandá-la direto para o lateral. Irritado, o zagueiro gritou visivelmente para o companheiro: "Sai uma vez". As transmissões de TV captaram a cena em close, e as imagens correram rápido pelas redes sociais argentinas.

A repercussão ganhou peso pela diferença entre os dois jogadores envolvidos. De um lado, o defensor mais experiente do elenco: 38 anos, campeão do mundo pela Argentina e mais de 800 jogos na carreira. Do outro, um dos mais jovens do plantel montado pelo técnico interino Leonardo Ponzio: Beltrán tem 22 anos e apenas 42 partidas like titular pela Primeira Divisão — só o goleiro reserva Tobías Andrada, de 19, é mais novo no grupo.

O pedido de desculpas público

Consciente da exposição que a cena ganhou, Otamendi procurou Beltrán em particular ainda nos dias seguintes ao empate. Mas, depois da vitória no estádio Mario Alberto Kempes, decidiu que o gesto também precisava ser público. Durante toda a partida contra o Belgrano, o capitão foi visto aplaudindo e incentivando o goleiro em diferentes momentos — justamente um dos destaques da equipe na noite cordobesa.

Já pedi desculpas a ele pessoalmente, e agora faço isso em público também, porque às vezes perco a cabeça. Vivo o futebol de um jeito, sou competitivo, e às vezes, pelo nível da partida ou seja o que for... acabei fazendo isso.

— Nicolás Otamendi · zagueiro e capitão do River

Confiança renovada no goleiro

Além do pedido de desculpas, Otamendi aproveitou o momento para reafirmar a confiança que deposita no jovem goleiro, destacando a dedicação diária de Beltrán nos treinamentos e o desempenho da noite em Córdoba.

Eu sei o que o Santi pode dar, vejo isso todos os dias. É o primeiro a chegar e o último a sair. Quando o conheci na Seleção, já disse que o River tinha um goleiro para muitos anos, e a verdade é que é isso mesmo. É tirar essa personalidade dele, porque o gol do River é muito grande, e hoje ele fez isso muito bem. Estou muito feliz por ele.

— Nicolás Otamendi · zagueiro e capitão do River

Enzo Pérez na tribuna

A noite em Córdoba teve ainda outro capítulo emocional para Otamendi. A braçadeira de capitão que ele veste desde que chegou ao clube, há 15 jogos — todos como titular da braçadeira —, pertenceu por anos a Enzo Pérez, que esteve presente nas tribunas do Kempes incentivando a equipe. Os dois foram companheiros no Valencia e na Seleção Argentina, e o zagueiro não economizou elogios ao antigo capitão.

Conheço o Enzo desde o Valencia, sempre o vi como capitão do River, defendeu a camisa como poucos. Ver ele na torcida, a verdade é que é bonito. O torcedor do River é assim, e por isso meu desejo é sempre deixar tudo pela camisa e conseguir um pouquinho do que o Enzo conquistou. Com trabalho, o mais importante é chegar a esse objetivo.

— Nicolás Otamendi · zagueiro e capitão do River

O que a vitória significou dentro de campo

Além de resolver a polêmica dos bastidores, a goleada sobre o Belgrano trouxe um pouco de tranquilidade para um elenco que vinha de dias turbulentos após o empate em Junín. Sob o comando interino de Leonardo Ponzio, o River de Córdoba mostrou uma evolução coletiva e individual que ainda não havia aparecido com a mesma clareza nas partidas anteriores do técnico, tanto na organização de jogo quanto na capacidade de transformar chances criadas em gols. O resultado deixou a equipe na quinta posição da Zona B do Torneio Clausura 2026.

Entre as atenções da comissão técnica para a sequência está a situação de Fausto Vera, que sofreu uma lesão e aguarda a confirmação da gravidade nesta segunda-feira, e a evolução física de Marcos Acuña, cuja presença no clássico contra o Racing, no próximo domingo, ainda é incerta. Na ausência do lateral titular em Córdoba, Francisco Ortega deixou boas impressões na lateral esquerda.

A bronca gritada sob o olhar das câmeras em Junín virou, poucos dias depois, lição pública de liderança em Córdoba. Para um River que ainda constrói identidade sob o comando interino de Ponzio, o gesto de Otamendi resume o que se espera de quem veste a braçadeira: competir até o limite, mas saber reconhecer quando esse limite foi passado longe demais.

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