Racing e Independiente chegam feridos ao clássico de Avellaneda
Chirola Romero tira Miljevic da lista de relacionados às vésperas do duelo no Cilindro, que reúne dois rivais em crise na 13ª rodada do Clausura
Há clássicos que carregam taça e há clássicos que carregam urgência, e o de Avellaneda deste domingo pertence à segunda categoria. Racing e Independiente se encontram às 14h45 (horário de Brasília) no Estádio Presidente Perón, o Cilindro, pela rodada 13 do Torneio Clausura, e nenhum dos dois chega em condições de impor favoritismo. São dois grandes feridos pela própria temporada, obrigados a buscar no rival histórico uma injeção de ânimo que o calendário recente não lhes deu.
Uma rivalidade que carrega feridas e glórias
O duelo entre Academia e Rojo é um dos mais tradicionais da Argentina, e o capítulo mais recente favoreceu Independiente: em abril de 2026, pelo Torneio Apertura, no próprio estádio do Rojo, o paraguaio Gabriel Ávalos marcou o único gol da partida e selou o 1 a 0. Agora o confronto volta ao território academicista, e a torcida de Racing espera repetir cenas como a de 9 de fevereiro de 2020, quando, mesmo jogando com nove jogadores em campo no próprio Cilindro, a Academia venceu por 1 a 0 com um gol agônico de Marcelo Díaz.
Quem viveu aquela tarde histórica de ambos os lados da rivalidade é o meio-campista Nery Domínguez, hoje no Central Córdoba de Rosário, que defendeu Independiente e depois Racing, time pelo qual foi campeão da Superliga 2018-19 e do Troféu de Campeões de 2019. Em conversa com o jornal Olé, ele relembrou o episódio como o jogo mais marcante de sua carreira.
O clássico com nove termina sendo especial por toda a adversidade e por terminarmos vencendo. É o melhor jogo que me tocou viver, por toda a atmosfera, por tudo o que sentimos naquele momento e por como conseguimos sair daquilo.
— Nery Domínguez · ex-Racing e Independiente, ao jornal Olé
Domínguez também analisou o momento atual dos dois clubes, reconhecendo que a temporada já está comprometida para ambos, mas que o clássico pode servir de alívio e de ponto de partida para o planejamento do próximo ano.
É um ano difícil para os dois no aspecto esportivo. Não acredito que nenhum dos dois salve o ano se ganhar, como se diz. Mas é uma necessidade conseguir a vitória para poder calmar os ânimos. Os dois são instituições gigantes, onde as aspirações são superiores a isso que é esse jogo, mas hoje a realidade marca isso.
— Nery Domínguez · ex-Racing e Independiente, ao jornal Olé
Racing: crise, cobrança e um corte que gerou surpresa
A situação da Academia é a mais delicada das duas. Racing perdeu cinco dos últimos sete jogos e chega ao clássico com apenas 11 pontos, no 13º lugar da Zona B, a sete pontos da zona de classificação para os playoffs. O time ainda está sob o comando interino de Sebastián "Chirola" Romero e vem de uma dolorosa derrota por 2 a 0 para o Belgrano, em casa, no jogo anterior.
Estamos num momento complicado. O campeonato não foi nada fácil para nós e foi um golpe duro. Temos que mudar rapidamente a chave, porque vem um jogo muito importante.
— Chirola Romero · técnico interino do Racing, em conferência de imprensa
Em meio a essa cobrança, uma decisão chamou a atenção na véspera do clássico: o meio-campista Matko Miljevic, de 25 anos, foi cortado da lista de relacionados para o domingo. É a primeira vez, desde sua chegada ao clube, que o croata fica de fora da lista sem haver lesão ou suspensão envolvida — nos últimos jogos ele já vinha perdendo espaço no banco de reservas, mas chegar a não estar nem entre os relacionados é um sinal mais forte.
Miljevic foi contratado em janeiro junto ao Huracán, por três milhões de dólares, por 80% dos direitos econômicos, e tem vínculo com Racing até o fim de 2029. O corte, decidido exclusivamente por critério futebolístico, reabre a dúvida sobre o papel do jogador no projeto do clube quando o interinato de Chirola Romero chegar ao fim e um novo técnico assumir em definitivo.
Para o restante da equipe, a expectativa é de apenas uma mudança em relação ao time que perdeu para o Belgrano: a entrada de Matías Zaracho no lugar de Ulises Ortegoza.
Academia
Facundo Cambeses; Ezequiel Cannavo, Mateo Martínez, Gonzalo Escudero, Ignacio Rodríguez; Gastón Lodico, Leonel Pérez, Matías Zaracho, Tomás Conechny; Lautaro Díaz, Adrián Martínez. Técnico: Chirola Romero.
Rojo
Rodrigo Rey; Santiago Arias, Sebastián Valdez, Juan Miguel Arrayago, Facundo Zabala ou Nahuel Banegas; Iván Marcone, Mateo Pérez Curci, Maximiliano Meza; Santiago Montiel, Ezequiel Ávila, Matías Abaldo ou Luciano Cabral. Técnico: Jadson Viera.
Independiente: dentro da zona de classificação, mas sem vencer em casa
Independiente vive uma situação menos crítica na tabela, mas também convive com a irritação da torcida. O Rojo soma 18 pontos e ocupa o 7º lugar da Zona A, dentro do grupo de classificação, porém com margem pequena. O time ainda não venceu como anfitrião no Estádio Libertadores de América-Ricardo Enrique Bochini nesta edição do Clausura, e chega ao clássico após um empate sem gols diante do Talleres, fora de casa, no estádio Kempes.
Ficou demonstrado que a equipe quis e não conseguimos. Agora é mudar a chave para o clássico, que é um jogo muito importante. Domingo é tudo ou nada.
— Jadson Viera · técnico do Independiente, em conferência de imprensa
O que está em jogo além do resultado
Nery Domínguez, que viveu o clássico pelos dois lados, resume a dimensão emocional que separa esse confronto de qualquer outro na temporada: segundo ele, os jogadores precisam atuar "como se fossem torcedores", sem perder a cabeça fria necessária para decidir a partida.
Nesses jogos sempre é preciso dar um algo mais, é preciso jogá-los como se fossem torcedores. É uma frase feita, mas é real. São as suas cores contra o outro, e a torcida os defende até o fim. Racing tem a vantagem de jogar em seu estádio, com sua gente, que vai lotar e vai apoiar; mas o time também precisa se contagiar com isso para buscar o resultado junto.
— Nery Domínguez · ex-Racing e Independiente, ao jornal Olé
Para Racing, jogar em casa é o maior trunfo disponível num momento em que o time depende de uma reação imediata para não se distanciar ainda mais dos playoffs — restam apenas quatro rodadas até o fim da fase regular. Para Independiente, a missão é dupla: vencer o clássico e, ao mesmo tempo, consolidar a vaga que hoje ocupa com pouca margem na zona de classificação.
Onde e quando assistir
Racing x Independiente joga domingo, 18 de outubro, às 14h45 (horário de Brasília), no Estádio Presidente Perón, em Avellaneda, pela rodada 13 do Torneio Clausura 2026. A transmissão na Argentina fica a cargo da TNT Sports e da ESPN Premium. O árbitro da partida é Facundo Tello, com Germán Delfino no VAR.
Entre a sombra do que já foi conquistado e a pressão do que ainda não se resolveu, Racing e Independiente chegam ao Cilindro buscando o mesmo alívio: uma vitória que não muda a temporada, mas que pesa duas vezes mais quando o rival é o de sempre. No domingo, às 14h45, a torcida de Avellaneda volta a dividir a cidade em duas.
Compartilhar esta notícia
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar esta notícia!