Liga Profissional

Racing e Independiente se encontram no Cilindro em clássico de sobrevivência

Academia e Rojo vivem as piores crises recentes de suas histórias próximas e chegam à 240ª edição do clássico de Avellaneda precisando vencer para não agravar ainda mais os cenários dentro e fora de campo.

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Por Redação FutebolArgentino
📅 18/10/2026 ⏱ 01:41
Prévia · Torneio Clausura 2026
18 de outubro de 2026 · Cilindro de Avellaneda · Redação

Trezentos metros separam os dois estádios de Avellaneda, mas a distância entre as moles de concreto do Cilindro e do Libertadores de América – Bochini nunca pareceu tão pequena quanto hoje, quando Racing e Independiente se encontram sob o mesmo denominador: a crise. Neste domingo de Dia das Mães, muitas famílias vão trocar o almoço tradicional pelo clássico que abre às 14h45 (horário de Brasília), no Cilindro, com 55.880 torcedores esperados. Pela 13ª rodada do Torneio Clausura 2026, será o 240º confronto entre os dois clubes — e nenhum dos lados pode se dar o luxo de tropeçar.

Um clássico centenário, ponto a ponto

A rivalidade entre Academia e Rojo já soma 239 jogos disputados ao longo da história, somando Copas Nacionais, torneios continentais, a Primeira Divisão e a era amadora. Quando Independiente atua como anfitrião, o retrospecto pende para o lado vermelho: em 113 jogos como local, o Rojo venceu 46, empatou 39 e perdeu 28. Já no reduto do Racing — somando o atual Cilindro (antigo Presidente Perón) e o antigo estádio da Academia —, o levantamento aponta uma leve vantagem do Independiente, por três triunfos (38 a 35), com 34 empates em um total de 106 partidas ali disputadas.

O capítulo mais recente dessa história, em abril de 2026, teve Maravilla Martínez perdendo duas chances claríssimas para colocar a Academia na frente — um pênalti cavadinho desperdiçado e um chute na pequena área que não conseguiu converter com nitidez. O Rojo aproveitou as falhas e, a dez minutos do fim, decidiu com um gol do paraguaio Gabriel Ávalos.

Racing: a pior fase em uma década

A Academia chega a este clássico fora da zona de classificação aos playoffs do Torneio Clausura e precisa praticamente de um milagre para alcançar uma vaga na Copa Sul-Americana de 2027. O time corre o risco real de ficar sem competição internacional por primeira vez em 12 anos — desde 2015, período que coincide com a volta de Diego Milito, hoje presidente do clube, que foi campeão como jogador em 2014 e, desde então, sempre viu Racing disputar copas continentais sem interrupção.

O elenco que no ano passado chegou às semifinais da Libertadores, eliminado pelo Flamengo, perdeu peso de forma acelerada. Saíram jogadores de hierarquia como Santiago Sosa (Vasco da Gama), Juan Nardoni (Grêmio), Gabriel Rojas (Cruzeiro) e Agustín Almendra (Cerro Porteño). Antes disso já haviam partido para o River dois campeões da Sul-Americana de 2024, Maximiliano Salas e Juan Fernando Quintero, e mais recentemente Marcos Rojo se transferiu para o Estudiantes. A lista de saídas inclui ainda o próprio técnico Gustavo Costas, que deixou o comando — um desfalque que, somado aos demais, tirou da Academia a confiabilidade, a intensidade e a qualidade de jogo que a caracterizavam.

Pressão nas tribunas: nos últimos jogos em casa, a torcida do Racing tem cobrado abertamente a gestão de Diego Milito, com cantos generalizados e, mais recentemente, protestos direcionados diretamente ao presidente do clube. O clube demitiu recentemente o técnico Juan Pablo Vojvoda e, sob o comando interino de Sebastián "Chirola" Romero, venceu Estudiantes de Río Cuarto por 2 a 1 e Belgrano por 2 a 0. Como visitante, porém, o retrospecto do ano é frágil: 17 jogos, 5 vitórias, 5 empates e 7 derrotas.

Independiente: classificado, mas sem margem de erro

Do outro lado, o Rojo ocupa posição de classificação aos playoffs, mas também não tem gordura para queimar. Uma derrota pode precipitar a saída do técnico Jadson Viera, que assumiu no lugar de Gustavo Quinteros e comanda a equipe há sete jogos, com duas vitórias, três empates e duas derrotas — ambas duras e sofridas dentro de casa, em Avellaneda: 3 a 0 para o Gimnasia de Mendoza e 4 a 1 para o Instituto.

Viera, de 45 anos, convive com a certeza de que sua passagem tem prazo de validade. O clube terá eleições em 13 de dezembro, o atual grupo dirigente não vai concorrer e nenhuma das chapas candidatas tem o técnico em seus planos. Seu contrato, inclusive, prevê uma cláusula especial que permite à próxima diretoria rescindir o vínculo de forma unilateral — mas a corda pode se romper antes do previsto se o Rojo perder o clássico.

Assim como o rival, Independiente também perdeu peças importantes: Álvaro Angulo (Pumas), Felipe Loyola (Pisa), Kevin Lomónaco (Elche) e o próprio artilheiro do último clássico, Gabriel Ávalos (Olimpia). As vendas foram motivadas por um passivo de US$ 34.742.454 apontado no último balanço do clube, que forçou a diretoria a desmontar parte do time para honrar compromissos financeiros. O resultado em campo é um time que soma cinco jogos sem vencer em casa — justamente onde o clima costuma ser mais hostil. Como contraponto, o Rojo chega embalado por um bom retrospecto fora de casa: quatro jogos sem perder como visitante, com três vitórias e um empate.

O que está em jogo dentro das quatro linhas

Taticamente, o duelo deve girar em torno da capacidade do ataque do Racing — com Lautaro Díaz, Tomás Conechny e Adrián Martínez — de furar uma defesa do Independiente que tem sofrido gols em sequência, mas que ganha solidez com a volta ao sistema de Iván Marcone no meio-campo, articulando ao lado de Mateo Pérez Curci. Do outro lado, a zaga formada por Mateo Martínez e Gonzalo Escudero precisará conter Ezequiel Ávila e Maximiliano Meza, as principais referências ofensivas do Rojo. Em um jogo decidido mais pela urgência do que pela beleza, o controle emocional pode pesar tanto quanto a qualidade técnica.

Onde e quando assistir

A bola rola às 14h45 (horário de Brasília), no Cilindro de Avellaneda, pela 13ª rodada do Torneio Clausura 2026. O estádio deve receber 55.880 torcedores em um domingo marcado também pelo Dia das Mães na Argentina.

Será uma final do mundo.

— Maravilla Martínez · atacante do Racing

É tudo ou nada.

— Jadson Viera · técnico do Independiente

Vêm por aí jogos de vida ou morte.

— Iván Marcone · capitão do Independiente

Chamam este confronto de "Clássico da Fome de Avellaneda" — e o apelido não poderia ser mais literal. Racing e Independiente entram em campo neste domingo não para brigar por um título, mas para evitar que a crise que já corrói os dois clubes se transforme em algo ainda mais difícil de reverter. Seja qual for o resultado, as consequências devem ultrapassar os 90 minutos e reacender debates sobre gestão, elenco e o futuro imediato de ambos os bancos de reservas.

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