Liga Profissional

Rojo vence a burocracia, convence Tapia e é apresentado pelo Estudiantes

Em uma corrida contra o relógio que quase naufragou às margens de um prazo da Conmebol, o zagueiro de 36 anos abandonou o treino, discou para o presidente da AFA e garantiu lugar na lista para a Libertadores e o Clausura.

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Por Redação FutebolArgentino
📅 09/10/2026 ⏱ 23:41
Mercado da Bola · Estudiantes

9 de outubro de 2026 · La Plata · Redação

Havia um prazo, e havia um homem decidido a não deixar que ele vencesse sem lutar. Por volta do meio-dia desta sexta-feira, em pleno treino no Country de City Bell, Marcos Rojo recebeu a notícia de que a Associação do Futebol Argentino (AFA) não o liberaria para competir pela Copa Libertadores. Em vez de aceitar o veredito, o zagueiro de 36 anos recolheu suas coisas, deixou a atividade e foi atrás da solução pelas próprias mãos. Horas depois, já no fim da tarde, o nome de Rojo constava na lista enviada pelo Estudiantes de La Plata à Conmebol, e à noite o clube o apresentava oficialmente como reforço para a semifinal continental contra o Flamengo e para a sequência do Campeonato Clausura.

Uma negociação até o fim do prazo

O impasse surgiu porque o pedido de abertura de uma vaga extra de reforço, motivado pela lesão do uruguaio Gabriel Neves, não havia sido autorizado pela AFA nem registrado no sistema COMET, a plataforma que cadastra os atletas de cada clube. Pela manhã, a entidade sinalizou que não liberaria o pedido: em tese, o prazo de recuperação da fratura de Neves — com deslocamento no rádio e na ulna do punho esquerdo, sofrida na Supercopa Internacional contra o Rosario Central — não atingia o mínimo de quatro meses exigido pelo regulamento para abrir uma vaga de reforço.

A regra que travou o pedido

O regulamento da AFA só permite a um clube inscrever um jogador fora do período de mercado em caso de lesão grave de outro atleta, desde que o tempo de recuperação estimado seja de, no mínimo, quatro meses. A recuperação prevista para Gabriel Neves, lesionado na Supercopa Internacional contra o Rosario Central, inicialmente não cumpria esse prazo — o que motivou a negativa da entidade pela manhã desta sexta-feira.

Diante da resposta negativa, Rojo decidiu intervir pessoalmente. Aproveitando a relação próxima que mantém com o presidente da AFA, Claudio Tapia, desde os tempos de Seleção Argentina, o defensor passou a tarde em conversas por telefone e videochamada para destravar o caso. A urgência tinha hora marcada: o Estudiantes precisava enviar a lista verificada de atletas à Conmebol antes das 18h desta sexta-feira para poder inscrevê-lo na Copa Libertadores.

A pressão deu resultado. Com a colaboração de Racing e da própria AFA, a entidade decidiu abrir uma excepcionalidade e autorizou a inscrição de Rojo no lugar de Neves, liberando o zagueiro tanto para a Libertadores quanto para o Campeonato Clausura.

Como chegou a esse ponto

A novela começou dias antes, quando Rojo deixou de treinar durante toda a semana no Racing Club para forçar sua saída rumo ao Estudiantes. O estopim foi a eliminação da Academia na Copa Argentina, derrotada por 3 a 2 pelo Boca Juniors, que avançou às semifinais. Depois de uma discussão direta com o presidente Diego Milito, o zagueiro resignou parte da dívida que o clube tinha com ele e selou a rescisão do contrato, que venceria em 31 de dezembro de 2026.

Em comunicado nas redes sociais, o Racing confirmou o desfecho da negociação.

Racing Club informa que transferiu a totalidade dos direitos federativos e econômicos de Marcos Rojo em favor do Estudiantes de La Plata. O contrato do jogador com nossa instituição vencia em 31 de dezembro de 2026.

— Racing Club · comunicado oficial

Rojo já havia assinado contrato com o Estudiantes até dezembro de 2027 e chegou a realizar três treinos sob o comando do técnico Alexander Medina antes mesmo de ter a situação regulamentar resolvida. Aproveitou o tempo de espera para ir a La Plata assistir, como torcedor, ao jogo entre Estudiantes e Gimnasia de Mendoza pelo Campeonato Clausura.

Os números da operação

Os valores envolvidos no acerto variam de acordo com a fonte. Segundo o jornal Olé, o Racing receberá uma indenização de 500 mil dólares pela interrupção do contrato, além de um bônus que pode chegar a outros 500 mil dólares caso o Estudiantes conquiste a Libertadores com Rojo em campo. O zagueiro, por sua vez, teria resignado valores que o clube ainda lhe devia a título de produtividade. Já a ESPN apontou que o Estudiantes desembolsará cerca de 800 mil dólares pelos três meses restantes do vínculo do defensor com a Academia, com um adicional sujeito a metas esportivas.

Terceiro ciclo no Pincha

Formado nas categorias de base do Estudiantes, Rojo vive agora sua terceira passagem pelo clube de La Plata. Na primeira, disputou 54 partidas, marcou quatro gols e foi peça do time campeão da Copa Libertadores de 2009 — o maior título da história recente do León. Uma tentativa de retorno em 2020 não avançou, e o zagueiro seguiu carreira até recalar no Boca Juniors, saída que deixou marcas e a reprovação de parte da torcida pincharrata. Agora, aos 36 anos, ele volta em busca de reescrever essa relação.

O próprio clube marcou o tom da reconciliação em um vídeo publicado nas redes sociais para anunciar a contratação.

Bem-vindo de volta, Marcos. Vamos escrever juntos novas páginas da nossa história.

— Estudiantes de La Plata · comunicado oficial

Rojo respondeu com uma mensagem gravada, divulgada pelo próprio clube.

A verdade é que estou muito feliz de voltar para casa. Sou muito agradecido à torcida e a todos no clube. Agradeço de coração.

— Marcos Rojo · zagueiro do Estudiantes

O desafio na Libertadores

A pressa do Estudiantes em resolver a situação não era apenas burocrática. O clube de La Plata enfrentará o Flamengo na semifinal da Copa Libertadores e chega ao confronto com a zaga desfalcada: Leandro González Pírez e Tomás Palacios estão suspensos para o jogo de ida, o que deixou o departamento de futebol em busca urgente de alternativas experientes para o setor defensivo. Rojo, com seu histórico internacional e a vivência de já ter erguido a mesma taça pelo clube, em 2009, surge como reforço natural para a arrancada final da temporada.

Durante sua passagem recente pelo Racing, o zagueiro disputou 29 partidas, marcou dois gols e deu uma assistência, além de ter sido advertido em sete ocasiões e expulso em dois jogos — números que mostram o desgaste de uma temporada marcada por instabilidade e que agora ficam no passado.

Apesar de já estar apto para atuar, Rojo não deve ser opção neste fim de semana. O Estudiantes visita o Central Córdoba, em Santiago del Estero, neste sábado, pela 12ª rodada do Campeonato Clausura, e o entorno do jogador informou que ele não dorme bem há alguns dias por causa do estresse da novela recém-encerrada — motivo pelo qual não será convocado para essa partida. A estreia com a camisa do Pincha deve mesmo esperar pela decisão que importa de verdade: a semifinal da Copa Libertadores contra o Flamengo, o adversário que separa Estudiantes de uma nova final continental.

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