Entre a paixão e a gratidão: a encruzilhada do Rosario Central na homenagem a Messi
A determinação da Liga Profissional de aplaudir o camisa 10 no minuto 10 gera acalorados debates no Gigante de Arroyito antes do clássico com o Newell's Old Boys.
Entre a paixão e a gratidão: a encruzilhada do Rosario Central na homenagem a Messi
Determinação de aplaudir o gênio no minuto 10 acende o debate em pleno Gigante de Arroyito
Poucas cidades no planeta respiram o futebol de forma tão visceral e dividida quanto Rosario. Quando a bola rola no derby entre Rosario Central e Newell's Old Boys, o tempo parece desacelerar para dar lugar a uma rivalidade centenária onde não há espaço para neutralidade. Contudo, a decisão da Liga Profissional de Futebol de promover um minuto de aplausos no décimo minuto de cada partida neste fim de semana — em homenagem à aposentadoria do astro Lionel Messi da Seleção Argentina — colocou os torcedores do Canalla diante de um dilema poético e tenso.
O peso da rivalidade e as vozes do Arroyito
A determinação vale para todas as divisões do futebol argentino como um tributo à vitoriosa trajetória de Messi vestindo a camisa albiceleste, selada após a disputa da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Se em quase todos os estádios do país o gesto é encarado com naturalidade e veneração absoluta, nas arquibancadas do Gigante de Arroyito o cenário ganha contornos imprevisíveis devido à ligação umbilical do craque com o lado rubro-negro da cidade, onde inclusive empresta seu nome a uma das arquibancadas do Estádio Marcelo Bielsa.
Nos fóruns e portais dedicados ao universo auriazul, o debate fervilha. Há correntes extremistas que sugerem vaias ao relógio marcar o décimo minuto, em clara rejeição ao simbolismo lepros do astro. Outros setores mais moderados advogam pela indiferença contida, permitindo que a própria intensidade natural da partida absorva o momento sem sobressaltos.
O precedente do Coloso e a lembrança de 2023
Apesar da rivalidade inflamada, muitos torcedores apelam à memória recente para defender o respeito à história construída com a Seleção Argentina. Em junho de 2023, durante a despedida de Maximiliano Rodríguez no Coloso del Parque, a torcida do Newell's surpreendeu ao ovacionar calorosamente Ángel Di María, campeão mundial criado na base do Central.
Naquela oportunidade, Di María entrou em campo acompanhado pelo técnico Lionel Scaloni e não escondeu a emoção diante do carinho vindo das arquibancadas rivais, cena também vivenciada por Ezequiel Lavezzi, outro nome fortemente identificado com a camisa auriazul. Esse gesto de maturidade e civilidade foi fundamental para selar o sentimento de pertencimento e tranquilidade necessário para o futebol rosarino.
"Naquele dia, Fideo confessou ter se surpreendido com a recepção calorosa no estádio rival, mostrando que o amor pela seleção pode superar divisões." — Registro Histórico de Rosario
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